“Estou tão tranquilo e tão contente”

Em dezembro de 2004, aos meus 12 anos de idade, tentei me matar.

Depois de 13 anos, 6 terapeutas, 20 dias de UTI, 15 dias de quarto de hospital, hospital em casa, 6 meses sem andar, 4 cirurgias, eu resolvi falar.

Por que tanto tempo depois?

Porque eu cansei de inventar histórias. Porque eu cansei de esconder as cicatrizes para que as pessoas não ficassem olhando. Porque eu cansei de ter que poupar as pessoas curiosas de deixa-las sem jeito. Porque eu cansei de ter que inventar histórias para não ser julgada. Porque eu cansei de preconceito. Porque eu cansei de ver essa história sendo um tabu. Porque eu sei que tem gente que precisa ouvir sobre para, então, falar sobre. Porque é a minha história. Porque é a minha vida. Porque aconteceu.

Depois de tanto ouvir falar sobre a tal série do Netflix, a 13 Reasons Why, resolvi assistir. Após ter assistido três episódios, em plena madrugada, desliguei a TV e liguei o computador. Sim, no auge da minha impulsividade. Sem roteiro, sem pensar, sem ter um conhecimento mínimo de tecnologias áudio visuais, falei por 15 minutos sobre o que aconteceu comigo, como foi a recuperação e como vejo tudo isso hoje.

Ao gravar o vídeo, a ideia principal era falar, finalmente, de uma forma aberta, direta, clara e leve sobre. Até porque não vejo motivos para ser diferente. A repercussão me chocou um pouco. Dias depois tinha mais de 4 mil visualizações (para quem nunca tinha se exposto assim, foi bizarro). Diversas mensagens de tudo quanto é tipo. Essas mensagens me incentivaram a continuar a falar sobre o “tal tabu”. Recebi mensagens de pessoas completamente desconhecidas contando de experiências próprias, de pessoas próximas, diversas formas de desabafos e confissões. Das pessoas próximas, como ficaram sabendo na época, como encararam a situação e outras histórias.

Gravei mais alguns vídeos, dei algumas entrevistas, participei de palestras e hoje resolvi escrever sobre. E cá estou. Espero que gostem. Espero que ajude. Espero que faça sentido para quem precisa. Afinal, foi por pouco. Ainda bem (que não foi).

Música do título: Quase sem querer – Legião Urbana

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